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 Falar sobre dor é sempre um desafio, especialmente em um mundo onde as redes sociais parecem ser apenas um palco para momentos felizes, viagens e festa. Dificilmente alguém posta quando está se sentindo triste, angustiado ou esgotado. Compartilhar alegrias é importante e saudável, mas falar das dificuldades muitas vezes parece um tabu.

Eu quero falar sobre uma experiência única: a dor do cuidador. Trabalho com familiares que cuidam de pessoas com Alzheimer há algum tempo. São geralmente filhos, filhas, esposas ou maridos. Chamo essa experiência de única porque doenças degenerativas, como o Alzheimer, são cruéis, e o cuidador vive um luto diário, se despedindo da pessoa amada aos poucos. A dor do cuidador, neste caso, vem até na palavra cuidaDOR.

A minha própria jornada com a dor do cuidador começou com o diagnóstico de Alzheimer da minha mãe. A primeira reação é de não entender, pois ninguém está preparado para isso. Depois, vem uma mistura de "mãos à obra" e uma sensação de impotência e grande tristeza.

Hoje, atuo na psicologia clínica acolhendo e tratando as dores de cuidadores de pessoas com Alzheimer e outras demências, mães de filhos com transtornos como o Transtorno do Espectro Autista (TEA), e também de jovens e adultos que buscam psicoterapia. Lidar com essas histórias tem sido transformador para mim.

O livro A Vida Sem Amarras, de Michael A. Singer, traz uma reflexão profunda: "Estou aqui. Estou consciente. E o que minha consciência diz é que estar aqui nem sempre é agradável". Ele nos lembra que o mundo externo, que vivenciamos através dos nossos sentidos, nem sempre é agradável e pode impactar nossos pensamentos e emoções. É crucial estarmos atentos a isso.

Acolher um cuidador é essencial, pois ele geralmente chega exausto, em busca de bem-estar em um mundo que se tornou uma grande confusão. Juntos, podemos encontrar um caminho para que a convivência com esses pensamentos e emoções seja mais leve, permitindo que a raiva, a frustração e a tristeza deem espaço para o perdão, a autocompaixão, a gratidão e o amor-próprio.

Essa transformação é o que traz bem-estar emocional e uma vida mais leve. Seja um cuidador do seu ente querido, mas, acima de tudo, seja um cuidador de si mesmo e da sua própria dor.

Conte comigo para compartilhar sua jornada!

Elaine Ninzoli – Psicóloga
Setembro/2025

 


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